That Girl: Uma última vez...

sexta-feira, setembro 11

Uma última vez...



Sei que, muito provavelmente, não vais ler isto, mas escrever aqui dá-me uma certa confiança, porque sei que podes ler, podes até nem mostrar ou dizer que leste mas se leres, acredita que o que escrevo aqui é a coisa mais sincera que alguma vez te disse.
Sabes, desde que começamos a construir uma amizade que várias pessoas me diziam "isso ainda vai dar coisa". Não me refiro a estes últimos tempos, refiro-me ao primeiro ano em que nos conhecemos. É engraçado lembrar-me disto, tendo em conta das coisas que se passaram sem que ninguém soubesse. De nós os dois nunca ninguém vai saber de tudo.
Desde esse primeiro ano que eu não largava o telemóvel nem por nada, tudo para responder e para receber uma mensagem tua. Lembro-me perfeitamente que muitas vezes demorava a responder propositadamente porque não queria responder logo a seguir. Mas isso raramente acontecia. Tu mandavas mensagem e eu, no minuto seguinte, respondia logo. Esses tempos, para mim, foram espetaculares. Apesar de tudo o que me podia estar a acontecer, quando falava contigo entrava noutro mundo, noutra dimensão. Um mundo em que só existíamos os dois. Lamechice? Não. Verdade!
Aproximamo-nos  tanto, nem sei como ou porquê. Com o tempo fomos ficando "inseparáveis". Pus inseparáveis entre aspas porque, para mim, sem ti nada tinha a mesma piada, Lembro-me de todos os planos que tínhamos traçado. Não éramos só nós os dois que tínhamos planos, lembraste? Esses planos eram os mesmo para nós os quatro. Engraçado como agora nenhum de nós se fala. Todos esses planos foram por água a baixo. Afastamo-nos. Não imaginas o quanto foi difícil para mim ultrapassar isso. Para mim só havias tu. Tu e eu, no mundo que eu tinha criado. Foi no ano que nos afastamos que me fui mais a baixo. Provavelmente faltava-me aquele mundo onde eu estava sempre, aquele mundo onde eu me abrigava e protegia, aquele mundo que já não existia, ou que se calhar nunca existiu.
Falávamos mas nada como dantes. Parecia que estavas a falar comigo obrigado e não imaginas o quanto isso custava. Eu mandava mensagem e tu só respondias às perguntas. Quando eu não dizia nada, tu também não. Até que desisti de insistir em falar contigo. Tu também era rara a vez que mandavas mensagem.
O tempo foi passando e passados três anos, desde que nos conhecemos, voltamos a falar. Eu voltei a sorrir com as tuas mensagens, voltei a ficar nervosa quando falavas comigo, voltei a rir das tuas piadas. Até que um assunto bastante delicado para ti, voltou com que ficássemos próximos de novo, ou pelo menos eu pensava que sim. Nunca a tentei substituir, ouvia-te chorar, apoiava-te. Voltou a existir aquele mundo onde eu me refugiava, aquele mundo onde só existias tu e eu. Aquele mundo que deixou de existir uma vez e que agora estava na esperança de voltar para ficar. Voltei a cair, a cair nos teus encantos. Voltei a ficar apaixonada por ti, mas desta vez era a sério. Não era nada passageiro. As chamadas de horas começaram, as videochamadas começaram, as mensagens começaram. Eu sorria só de te ver sorrir. Sempre adorei o teu sorriso e tu sabes disso, mesmo tu não gostando do teu sorriso ou dos teus dentes eu amava, era capaz de te ver sorrir durante horas seguidas. Foi aí que apareceu o teu lado que nem eu sabia que existia, mas a pergunta é, será que existia mesmo ou foi só mais uma brincadeira, uma ilusão?
Amei-te com todas as tuas imperfeições. Amei-te com todos os teus defeitos. Amei-te mesmo nas discussões. Amei cada lado teu, o bom e o mau.
Desta vez, afastamo-nos mas sei que desta vez vai ser de vez. Foi na última discussão que o meu mundo voltou a cair, eu voltei a cair. Tudo desabou quando eu percebi o que era real e o que não era. Chorei durante horas seguidas, dias seguidos. Adormecia cansada de chorar. Adormecia a chorar. Dizia às pessoas que estava tudo bem mas na realidade estava destruída por dentro.
Sabes, só queria uma última vez. Uma última vez em tudo. Mesmo que fosse tudo a fingir, só pedia uma última vez. Uma última mensagem, uma última explicação, um última café na esplanada ao sol, podia ser mesmo eu a pagar, um último carinho mesmo que fosse falso, uma última chamada, uma última gargalhada, voltar a ver pela última vez o Rick que eu pensava que conhecia, aquele teu lado que não sabia que existia, peço até uma última discussão se for necessário para voltar a falar contigo. Não te peço nenhuma última hipótese porque, na realidade, nunca tive nenhuma.
Não penses que te usei, que te manipulei. Não. Eu amei-te como só amei uma pessoa. Em pouco tempo tu tornaste-te um tudo, passaste de um "nada" a um todo. Tu tornaste-te um todo para mim. Fizeste com que aquele meu pequeno mundo voltasse. Fizeste-me feliz mesmo quando era tudo uma brincadeira.
Tu até tens razão, eu não adivinho o futuro. Não sei se se continuasse a lutar por ti se irias sentir alguma coisa. Tens razão. Eu não sei o futuro. Mas sei uma coisa. Naquele tempo todo o teu coração só pertenceu a uma pessoa. E tu sabes a quem. Aquela que amaste com todas as tuas forças, aquela a quem entregaste tudo de ti, aquela que se tornou o teu tudo, aquela que fez com o mundo onde só vocês os dois estavam, existisse. Essa pessoa teve tudo de ti. E fico feliz por ti, por te teres entregue a ela. Por amares.
Sabes, não sei como vai ser o regresso às aulas. Não sei como vai ser quando te vir. Não sei se vou chorar ou rir de nervos. Não sei se vou olhar ou vou fingir que não te vi. Não sei se te vou ignorar ou falar. Não sei se continuo com esta força ou se, no mesmo momento em que te vir, perco toda a força num só segundo. Não sei.
Mas fica ciente de uma coisa, mesmo que não leias nada disto, quero que saibas que eu te amei, que eu sofri bastante por ti, mas também fui feliz. Quero que saibas que tu vales a pena e acredita tu tens tanto para dar... Não tenhas medo de amar. Não tenhas medo de amar porque simplesmente não faz parte do estilo de bad boy que queres ser. Ama, porque amar faz com que queiras viver cada segundo da tua vida. Amar faz-te sentir bem, confiante, seguro. Amar faz-te sentir vivo!
Nunca duvides do que senti por ti. Nunca!

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